Bebedouro para animais de porte grande, abandonado, poderá ser revitalizado em Cianorte

Em 2013 boa parte da população de Cianorte ficou indignada quando uma ex-BBB, de nome Andressa, citou como característica da Cidade as carroças. O fato é que a moça não estava errada e até hoje são vistos animais puxando carroça nas vias urbanas.

Não se pode proibir da noite para o dia que carroceiros que trabalhavam a vida toda com a ajuda desses animais, larguem seu meio de sustento. Mas é importante pensar em melhores condições para esses animais que fazem parte da história da formação das cidades brasileiras. Foi, literalmente, no lombo deles que as cidades foram construídas em meio às matas.

Local é parte da memória de Cianorte, onde os animais descansaavam e saciavam a sede. Os animais eram de feirantes, trabalhadores rurais, que por muitas décadas os tiveram como único para auxiliar no transporte. Foto: Aida Franco de Lima

Em Cianorte há um ponto dessa memória que por muitos anos ficou abandonado e agora pode ser recuperado e preservado, através do requerimento 318/2022 do vereador Wilson Pedrão (Republicanos). Trata-se de um bebedouro para cavalos, que localiza-se na região conhecida como Paraguaizinho, na Avenida América, junto à Praça Joaquim Alves Ferreira, na Zona 01. Em resposta, o Secretário Municipal de Cultura, Rodrigo Severino de Jesus, afirmou que o mesmo foi encaminhado para análise para o COMPAC – Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. O prefeito Marcos Franzato, em conversa presencial, defende a preservação do local, inclusive com a instalação de placa que narre a importância do mesmo para a memória coletiva.

Nos anos de 2018 e 2020 foram feitos apelos em redes sociais, para a preservação do local, mas ninguém deu ouvidos.

Post de 16 de outubro de 2019
Em postagem 13 de julho de 2020 alertei sobre o descaso com os animais de porte grande, que perderam o bebedouro para uma floreira mal conservada. Foto: Aida Franco de Lima

Por muitos anos o local saciou a sede dos animais. Mas na última gestão, o local foi transformado em uma floreira. Com o tempo, virou apenas um depósito de terra. Sem função nenhuma.

Se restaurado, o bebedouro, além de saciar a sede por água, vai alimentar a memória de quem frequentou a região. Fosse levando os animais para beber água, para comer um pastel na antiga feirinha ou uma canja no final das baladas, ou mesmo comprar ou vender um objeto na ‘feira do rolo’, que tem ali perto.

Uma cidade é feita de memórias e elas precisam ser preservadas.

Se restaurado, o local que está cheio de terra e ervas, voltará a saciar a sede dos animais que tanto trabalham. Foto: Aida Franco de Lima

About the author

AIDA FRANCO DE LIMA
Doutora em Comunicação e Semiótica, jornalista, professora, escritora, ativista ambiental.



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